INTRODUÇÃO

Ivan Sérgio Freire de Sousa

Resumo


Recebo uma missão muito importante do colega Cyro Mascarenhas Rodrigues, Editor-chefe dos CDT, que atualmente está concluindo seu doutoramento na UnB: editar este volume sétimo da revista e preparar as bases para a nova fase deste esforço, nascido com muita determinação e idealismo. No ano de 1984, era publicada, já em janeiro, a primeira edição quadrimestral dos CDT. De lá para cá, a revista tem colocado à disposição do público um relevante acervo de conhecimento na área de Ciência e Tecnologia relacionado à realidade agroindustrial brasileira.

Como lembra, nesta edição, o nosso Presidente, Murilo Xavier Flores, desde aquele início, as questões da difusão de tecnologia sempre foram discutidas dentro de uma perspectiva mais ampla, envolvendo tanto as questões próprias da ciência e da tecnologia como aquelas ligadas ao desenvolvimento brasileiro. Um dos pontos que vem sendo colocado pelos Cadernos é o de que a ciência e a tecnologia, além de compartilharem os valores da Sociedade, recebem a sua influência. Isto significa que fatores econômicos, sociais e políticos afetam de inúmeras formas a organização das ciências e a orientação da pesquisa científica. Observar essa realidade a partir da problemática da difusão de tecnologia foi a oportunidade estratégica de estudo que a revista decidiu enfrentar.

Uma conseqüência dessa estratégia adotada é a nova fase que a revista passará a percorrer. Essa nova fase, como já enfatizado na abertura deste volume, começa com o ajuste mais direto do seu nome ao conteúdo discutido nas suas páginas. Daí o próximo volume, o oitavo, correspondente ao ano de 1991, trazer uma significativa mudança de nome. A revista deixará de ser Cadernos de Difusão de Tecnologia (CDT) e passará a se chamar Cadernos de Ciência e Tecnologia (CC&T).

O novo Editor-chefe será José de Souza Silva, atual chefe da Secretaria de Administração Estratégica (SEA), da EMBRAPA, e terá como Editor Assistente Antônio Carlos Naves, do Serviço de Produção de Informação (SPI), responsável pela publicação da revista. Como Editor de Resenhas ficará o nosso colega Rui Henrique P. L de Albuquerque, do Núcleo de Política Científica e Tecnológica (NPCT), do Instituto de Geociências (IG), da UNICAMP. O Editor Comercial será Acácio Campos Filho, do SPI. Coube a mim substituir, a partir do volume oitavo, a colega Vilma de Mendonça Figueiredo, do Departamento de Sociologia, da UnB, na presidência do Conselho Editorial da Revista, onde exerceu trabalho inestimável, e agora em missão no exterior. Ao Cyro Mascarenhas Rodrigues, da equipe de fundadores dos CDT, o agradecimento de toda a equipe pelo trabalho competente e dedicado que manteve como Editor-chefe. Estamos felizes de Cyro continuar conosco nesta nova fase, emprestando o seu dinamismo e entusiasmo ao sucesso continuado do empreendimento.

Este volume dos CDT reúne, num único exemplar, os números 1, 2 e 3, referentes ao ano de 1990. Nesse sentido, como em vezes anteriores, ele traz concentrado maior número de trabalhos.

O primeiro deles é de autoria de José Graziano da Silva, "O progresso técnico na Agricultura". É um texto de discussão teórica, apresentado de forma clara e didática. Será, particularmente, de grande ajuda aos estudantes de pós-graduação.

O trabalho seguinte, "Grupos sociais e desempenho das organizações de pesquisa agropecuária", de Tarcízio Rego Quirino e Paulo Aragão, trata do relacionamento entre organização formal e sociedade. Os dados empíricos referem-se à EMBRAPA e o nível de análise adotado pelos autores é o mesossocial.

O terceiro artigo, "A pesquisa sobre o sorgo e valores humanos", mostra que as escolhas técnicas feitas por cientistas são, na verdade, escolhas de valores. Nele, Lawrence Busch e William Blach apresentam a ciência como força da mudança material, além de discutir, entre outras coisas, os perigos da sua transformação em ideologia.

José de Souza Silva é o autor do quarto trabalho, "Biotecnologia e a economia política de sua definição". Partindo da diferenciação entre a "velha" e a "nova" biotecnologia, José de Souza Silva faz uma incursão nas tentativas de definição da biotecnologia e discute as suas diferentes implicações.

"Geração e aplicação de biotecnologia nos países em desenvolvimento; o papel dos centros internacionais de pesquisa agrícola (CIPAs)", de Frederick H. Buttel, Martin Kenney e Jack Kloppenburg Jr, traz um estudo de avaliação projetiva da biotecnologia vis-à-vis aos seus impactos sociais potenciais. O papel da divisão do trabalho futuro entre a pesquisa agrícola oficial e a privada é discutido.

"O campo histórico-político da tecnologia e os trabalhadores rurais sindicalizados", de Vilma de Mendonça Figueiredo, critica os enfoques economicistas na abordagem da tecnologia por constituírem-se em modelo abstrato de validade universal e histórica. Para a autora, a tecnologia tem de ser revelada em suas múltiplas e interligadas dimensões: a científica, a econômica, a ideológica e a política.

Encerra a seção de Artigos o trabalho de Ademar Ribeiro Romeiro, "Agricultura e meio ambiente; aspectos teóricos e metodológicos". Ele procura mostrar que o conjunto de fatores que explicam a evolução das práticas agrícolas modernas possuem mais do que elementos de racionalidade e eficiência.

Na seção de Debates é trazido, para público maior, um texto que vem sendo objeto de grande discussão interna na Empresa, "Projeto EMBRAPA; a pesquisa agropecuária rumo ao século XXI". De autoria de Murilo Xavier Flores, presidente da EMBRAPA, o texto fica como estímulo ao debate de idéias sobre os destinos da pesquisa agropecuária no Brasil.

Na seção de Resenhas duas obras são discutidas por José Augusto Drummond e Gutemberg Armando Diniz Guerra.

Aqui estamos, então, com o volume sétimo dos CDT concluído. O volume oitavo, em andamento, também reunindo, numa única edição, os números 1, 2 e 3, traz, como ficou anunciado, a mudança de nome de CDT para CC&T. Só no volume nono dos CC&T é que se retornará à periodicidade quadrimestral.

Aos amigos leitores dos CDT / CC&T solicitamos o esforço adicional de nos ajudar a ampliar o quadro de assinantes da Revista. Os CC&T precisam de ação agressiva em termos de expansão de assinaturas. Este assunto, que continuará a ser tratado nas próximas notas introdutórias, precisa ser encarado de frente por todos os nossos amigos da Universidade, das escolas isoladas, das empresas e institutos de pesquisa, das associações científicas, dos sindicatos, enfim, de todas as organizações e pessoas interessadas no avanço do estudo da ciência e da tecnologia no nosso País.


Palavras-chave





DOI: http://dx.doi.org/10.35977/0104-1096.cct1990.v7.9118