Intoxicação por Mascagnia pubiflora em bovinos no estado de Mato Grosso

Carlos Hubinger Tokarnia, Jürgen Döbereiner

Resumo


Mascagnia pubiflora (Juss.) Grisebach, da família Malpighiaceae, foi identificada como causa importante de mortandades em bovinos no sul do Estado de Mato Grosso. Foram observadas duas variedades da planta, M. pubiflora, forma glabra, e M. pubiflora, forma pilosa. Através da experimentação em 30 bovinos foi verificado que as duas variedades possuem a mesma toxicidade para essa espécie animal, mas que ambas variaram bastante na sua toxidez de acordo com a época do ano. Enquanto que em agosto/setembro, época de seca, com a planta em brotação, floração e frutificação, a dose letal das folhas frescas foi ao redor de 5 g/kg de peso animal, em abril/maio, final da época de chuva, com as folhas da planta maduras, ela foi em torno de 20 g/kg. As folhas dessecadas da planta, com o tempo, perderam em toxidez. Em um experimento com as folhas dessecadas, a planta não teve efeito acumulativo e não provocou desenvolvimento de tolerância. O quadro da intoxicação experimental pelas folhas frescas de M. pubiflora foi bastante uniforme em todos os bovinos. Alguns (6/15) amanheceram mortos no dia seguinte da administração, tendo a morte ocorrido dentro de 16 a 22 horas e meia após a ingestão da planta. Nos animais em que se pode observar a evolução da doença (9/15), os primeiros sintomas foram vistos dentro de 16 a 25 horas após a administração das folhas, e a sua evolução até a morte foi de poucos minutos a 49 horas e meia; mas em todos os animais, mesmo nos em que a evolução da intoxicação era mais longa, havia uma fase, final dramática, de "morte súbita", de duração ,de minutos. Os sintomas podiam ser provocados ou intensificados e a morte podia ser precipitada, através de exercício. Eles eram de ordem neuromuscular; consistiam em relutância de se levantar, andar rígido e tremores musculares; o animal deitava-se precipitadamente, sobretudo quando tocado. Mais cedo ou mais tarde, dependendo parcialmente do exercício, esses sintomas subitamente tornavam-se muito intensos, o animal caía de lado, fazia movimentos fortes de pedalagem e morria, levando toda essa fase final somente minutos. O exercício tinha efeito maior quando o animal tinha previamente permanecido ao sol. Os achados de necropsia foram pouco relevantes. As alterações histopatológicas que chamam mais a atenção consistem em degeneração hidrópico-vacuolar das células epiteliais dos túbulos uriníferos contornados distais, visto em parte dos animais de experimentação (6/15).


Texto completo:

PDF


Embrapa Sede
Parque Estação Biológica - PqEB - Av. W3 Norte (final) Caixa Postal 040315 - Brasília, DF - Brasil - 70770-901
Fone: +55 (61) 3448-2461