A CONJUGAÇÃO DO CRÉDITO RURAL À ASSISTÊNCIA TÉCNICA NO BRASIL: ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA DO SISTEMA BRASILEIRO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL

MAURO MÁRCIO OLIVEIRA

Resumo


Neste trabalho investiga-se a conjugação do crédito rural à assistência técnica governamental, no Brasil, desde o início de sua prática (década de 1950). A hipótese de trabalho implícita, que orientou a elaboração deste documento é a de que o crédito rural passou a ser um fim em si mesmo para o Serviço de Extensão Rural, por conta da receita operacional proporcionada pelo seu agenciamento. As constatações mais salientes são: a) a montagem do Sistema Nacional de Crédito Rural, em 1964, tem muito a ver com a experiência precedente do Serviço de Extensão Rural que, a partir de sua fundação no País propugnava pela referida conjugação; b) tal conjugação foi um poderoso instrumento para alinhar a atuação do Serviço de Extensão Rural à política agrícola; c) o "caráter social" do Serviço viu-se afetado negativamente pela crescente importância dedicada ao crédito rural; d) do ponto de vista da auto-suficiência financeira para o Serviço de Extensão Rural, a vinculação com o crédito não conseguiu ultrapassar a ordem de grandeza de 10% do orçamento extensionista, quando considerado todo o País; e) o papel de "vilão" do crédito rural deve ser revisto em função do padrão de crescimento geográfico do próprio Serviço, o qual impediu a criação, no mesmo período de conjugação intensa com o crédito, de condições operacionais satisfatórias para a prática de sua filosofia de trabalho.

THE LINK BETWEEN RURAL CREDIT AND TECHNICAL ASSISTANCE IN BRAZIL: ANALYSIS OF THE EXPERIENCE OF THE BRAZILIAN SYSTEM OF TECHNICAL ASSISTANCE AND RURAL EXTENSION

Abstract
This work examines the link between rural credit and government technical assistance in Brazil since its beginnings in the 1950's. The working hypothesis that guided this document maintains that: for the Rural Extension Service, rural credit became an end in itself because of the operational budget provided by the service. The major observations are: a) the creation of the National System of Rural Credit in 1964 was closely connected with the previous experience of the Rural Extension Service, which, from the moment it was created, vindicated the link; b) linkage was a powerful instrument to align the activities of the Rural Extension Service with agricultural policies; c) the service's "social character" was negatively affected by the growing importance of rural credit; d) from a Rural Extension Service financial self-sufficiency standpoint, linkage with credit did not represent more than 10% of the extension budget, for the country as a whole; e) the "villain" role attributed to rural credit must be reviewed in view of the geographic expansion of the Rural Extension Service which, during the period of intense linkage with credit, impeded more satisfactory operational conditions for the practice of its work philosophy.


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